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sábado, 19 de julho de 2014

QLQRUA: Futebol de qualidade passando por baixo da nossa janela

A Copa do Mundo consagrou a Alemanha/ Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil
Uma semana já se passou e uma saudade ficou. "Copa do Mundo cadê você? Sentimos a sua falta!" Não do futebol brasileiro apresentado por nossa Seleção, mas da festa feita. A Copa do Mundo passou por aqui e deixou bons rastros...

Não era a favor dela em 2007 quando o então presidente Lula resolveu candidatar o País. Fui mais contra ainda quando descobri as intenções de também trazer as Olimpíadas. Imaginei, como muitos, que isso daria uma merda sem tamanho. O Brasil não é lá muito organizado. Com a escolha feita não adiantava ser contra, afinal nada mudaria a opinião da tia Fifa.

Durante os protestos do ano passado eu só não apoiava a ideia do Sem Copa, afinal protestar contra o Mundial era perda de tempo. Porém eu tinha medo. Em maio deste ano eu cheguei comentar que Porto Alegre não ia dar conta do recado, afinal uma corrida, maratona de tradição internacional, deu um nó no trânsito da Capital. Errei o palpite, graças a Deus!

Ok, verdades sejam ditas, teve protesto, jornalista agredido, polícia exagerando, obras inacabadas e a neblina impedindo os vôos de partirem e chegarem ao Salgado Filho. Tudo isso, contudo, não tirou o brilho do festejo futebolístico.

Como esquecer da gringada aqui na cidade? Relembrou os tempos áureos do Fórum Mundial Social (kkkkkk, falei agora como uma velhinha, e nem faz tanto tempo assim que o Fórum aconteceu, só uma década e um pouquinho mais). Claro, que tinha muito mais gente.

Gigante do Beira-Rio/ Fotos Públicas
Que sensacional o Caminho do Gol! Tantas torcidas unidas indo em direção ao Beira-Rio (o nosso lindo Bergamotão que fica colorido a noite), sem brigas, rixas e confusões. Não é comum ver gremistas e colorados andando lado a lado rumo ao estádio de futebol, todavia vimos durante a Copa.

Ver a torcida da Holanda, unida e cantante passando na Borges. Aquele mar humano cor de laranja fez todo o sentido, aquilo que é paixão e organização. Visão maravilhosa, mostra o porquê até hoje a seleção holandesa é chamada de laranja mecânica. Que baita combustível é a torcida.


Foto: Anselmo Cunha/ PMPA
Por falar em torcida quem fez bonito foi os japoneses. Exemplo de civilidade, vamos ver se este nosso povo aprende a usar sacolinhas ou pelo menos não olhem estranho para quem leva sempre a sua, até mesmo na praia.

Os brasileiros também fizeram bonito na torcida, apesar de em muitos momentos ficarem em silêncio. Não deixaram de apoiar a Seleção Brasileira mesmo depois daquele resultado estratosférico contra a Alemanha. No jogo contra a Holanda, pela terceira posição do Mundial, lá estavam eles.

Foto: Valter Campanato/ Agência Brasil
A vaia para a presidente foi ridícula. Sinceramente, desnecessário! Faltou educação de alguns.

Mas vamos voltar a falar das coisas legais. Agora com foco apenas em Porto Alegre. Quem diria que a Fan Fest ia lotar tanto? Quem diria que mesmo com chuva e frio a galera não arredou pé?! Os shows agradaram muito, despertaram curiosidade e valorizaram os artistas gaúchos.

Foto: Anselmo Cunha/ PMPA
Os festejos futebolísticos que invadiram os bairros fizeram sucesso. Agradou a todos e levou para perto de quem estava afastado do Centro a Copa do Mundo. A segurança foi destacada pelo moradores de toda a cidade. Talvez Porto Alegre nunca tenha tido tantos Brigadianos andando pelo município.

Foto: Bruna Santos de Souza.
A Alemanha encerrou com chave de ouro a Copa, com futebol muito bem trabalhado e mostrando resultados positivos de quando um esporte recebe investimento desde as categorias de base.

Enfim, mesmo que em cima da hora deu tudo certo. A Copa do Mundo do Brasil foi a Copa das Copas. Tivemos a oportunidade de ver futebol de primeira, de presenciar o fato de que já não existe time bobo. Que as zebras não são azarões e sim equipes que se dedicaram muito e evoluíram. Foi a Copa dos muitos gols e das belas defesas. Goleiros que arrasaram tanto quanto os atacantes.

A festa foi bela, com certeza deixou saudades. Foi bem ter tido esse evento no nosso País, na nossa cidade. Foi como ver o melhor do futebol passando por debaixo da nossa janela.

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Leia as demais crônicas da série #QLQRUA

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Copa do Mundo também na Lomba do Pinheiro


Foto: Bruna Santos de Souza
A segunda-feira carrancuda e chuvosa não afastou cerca de 500* pessoas da festa organizada pela Prefeitura de Porto Alegre. A Viva Porto Alegre na Copa levou ao bairro Lomba do Pinheiro shows de bandas locais e um telão para os moradores e visitantes assistirem o jogo do Brasil e Camarões, última partida da primeira fase da Copa do Mundo.

O Brasil saiu vitorioso e motivou os moradores que mesmo com a noite não arredava o pé do local. Muitos saíram satisfeitos, mas outros ainda querem ver mais o futebol da Seleção.

Antes da partida começar, o evento contou com shows de MC Maykinho,  Dark Bono, Kleber Cidron, Tainá Carvalho e MC Kid RS, bandas locais, além dos shows principais de MC Dino e Swing Nativo.

Swig Nativo e o apresentador Gugu Streit./ Foto: Bruna Souza

Carlos Leandro da Silva, da Comissão de Cultura do Lomba do Pinheiro, comemorou. “A Lomba precisa desse tipo de evento e há muito tempo não tínhamos nada igual. Traz muita alegria para a nossa comunidade”.
Foto: Bruna Santos de Souza
Eu registrei alguns momentos de um dos shows e também do início da partida. Fiquei devendo a foto da comemoração do gol. Fica o aviso, não sou boa para fotografar, pois lido muito melhor com as palavras, rsrsrsrsrsrs.

Quem quiser ver todas as fotos basta acessar o álbum Copa do Mundo Brasil 2014 - Viva Porto Alegre na Copa - Lomba do Pinheiro

Sobre o gol

Imagine uma galera olhando fixo para os telões. Alguns cochichavam com seus parceiros. Como o local era muito grande foi engraçado, pois as pessoas ficaram em pequenos grupinhos, sendo que estes grupinhos ficavam afastados. Perto dos telões poucas pessoas. Todos preocupados com a Seleção, que no primeiro tempo não jogava muito bem. A equipe mostrava ansiedade e não agradava os espectadores que naquele momento enfrentavam uma fina garoa gelada.

Bastava o Fred pegar a bola para a chiassada começar. Cada vez que o Neymar caia alguém comentava o "de novo". Quando saiu o primeiro gol alguns comemoraram, o jogo estava feio na opinião de muitos. Quando o Camarões marcou saiu: "viu, toma"; "bem feito"; "pronto só falta perder".

Quando o tempo de jogo ia passando, a Seleção Brasileira melhorou em campo e com isso agradou o público. Tanto que quando saiu o segundo gol a comemoração foi maior. Gritos de gol ecoaram!

Já era noite quando o segundo tempo começou e havia voltado a chover, muitos foram embora, principalmente quem tinha levado crianças. Os que ficaram viram o Brasil ampliar e como antes comemoraram gritando gol e vibrando com os amigos.

*Estimativa de público é da Prefeitura Municipal de Porto Alegre

sábado, 14 de junho de 2014

QLQRUA: A magia de ir ao estádio de futebol

Imagem ilustrativa/ Foto: internet
Ela mal dormiu a noite. Ansiosa esperava amanhecer, tinha tudo planejado. Ia levantar da cama, tomar banho, usar aquele hidratante especial e aquela colônia. Tinha vinte e poucos anos. Quando o sol se pôs no céu, ela levantou rápido e se arrumou. Pintou as unhas e vestiu a camisa do time do coração. Botou no cabelo uma faixa com o emblema da equipe, pintou na bochecha uma bandeirinha. Botou os tênis e engoliu rapidamente o café. Foi para o portão esperar o pai que iria buscá-la para assistir o jogo no estádio. Quem via aquela garota, pelo nervosismo achava que ela nunca havia estado lá antes, mas foi inúmeras vezes com os amigos. Mas com o pai era diferente, o clima era especial, o jogo se tornava mágico, e ela não tinha essa sensação desde os 14 anos.

Ele teve um sono agitado, acordou no meio da noite gritando gol. Acordou cedo e foi direto para o quarto dos pais e os acordou com um "vamos logo!' Eles viram a cena e riram, pegaram o menininho de seis anos no colo e lhe pediram calma, pois o jogo era só a tarde. Deram-lhe café com pão. Na hora do almoço ele não aguentava mais esperar, nunca havia demorado tanto para passarem as horas. Depois de comer subiu correndo as escadas e foi para o banho sem brigar, isso era raridade. Limpinho e cheiroso vestiu orgulhoso o fardamento da equipe do coração dos pais e dele também. Pediu para fotografá-lo e fez posses de jogador de futebol. Era a primeira vez que ele ia ao estádio.

A duplinha do barulho era composta pelas irmãs de cabelos cacheados. Diferente das meninas de 12 anos elas queriam seguir os passos do avô e queriam jogar futebol. Para elas ir ao estádio era rotina, mas naquele domingo a sensação não era a mesma, pois o avô tinha morrido e era a primeira vez que elas iam assistir um jogo sem ele. Com uma sensação esquisita e com um nó embolado na garganta, elas se arrumavam. Deixaram de lado as tradicionais e companheiras camisetas e usaram as do avô. Era uma forma de homenageá-lo. Antes de sair de casa deram as mãos ao pai e ao tio.

A pequena de oito anos quando acordada pela mãe lembrou que hoje era a estreia do irmãozinho de dois meses no estádio. Pulou da cama e correu para o berço. Lá olhou para o pequenino e com uma conversa toda encantadora lhe explicou como era uma partida de futebol, os detalhes da arena, do campo e do time. A mãe estragou a conversa dos irmão no momento que mandou a serelepe tomar café. Ela foi, mas nada satisfeita. Perto da hora de sair vestiu a camiseta e ajudou a mãe a arrumar o irmão. Lá no estádio ela se sentia em casa, pois acompanhava os pais desde que era bebê.

A jovenzinha de 16 anos foi outra que teve uma noite agitada. Ao amanhecer tomou banho, se perfumou, vestiu a melhor calça, o melhor par de meia, o tênis e a velha camiseta do time. Saiu com o pai para buscá o tio na rodoviária. O pai não gostava de futebol, diferente deste tio que morava no interior. Foi com ele que ela foi ao estádio de futebol pela primeira vez, e toda a vez que ele ia para capital era uma visita a arena.

A moça ao chegar no estádio agarrou a mão do pai. Sentiu uma brisa suave lhe bater o rosto e uma alegria brotava no seu peito. O sorriso no rosto era visível. Pouco antes de começar a partida comeu um cachorro-quente e brindou com refrigerante aquele momento singular. Na hora do jogo eles mantinham a atenção no campo. Na hora do gol um forte e longo abraço. Durante as jogadas mais arrastadas, ela encostava a cabeça no peito do pai, e ele passava a mão na cabeça dela, assim como fazia quando a jovem era uma guriazinha.

O garotinho ao chegar observava tudo. "Pai olha isso, pai olha aquilo". A mãe não foi, não curtia. Durante a partida, o pai lhe explicava tudo que se passava, ajudou-lhe a comer o sanduíche. No momento do gol, agarrou-lhe no colo e o lançou para cima. O guri faceirinho adorou o gol e adorou voar. Naquele momento passou a entender a sensação bacana do gol.

As gêmeas chegaram na arena com a família em peso. Sabiam que aquele momento era diferente. Na homenagem que o clube fez ao avô delas, elas agradeceram e com sorrisos travessos impediram que o pai e o tio chorassem. Se é bola é festa, foi diferente, porém não menos especial. Com o tempo elas e eles se acostumariam com a ausência do velho jogador.

A menina chegou com o pai, a mãe e o irmão. Preocupada não saia de perto do neném. Mostrava para ele as coisas do estádio, ao mesmo tempo que ela descobria coisas novas. Estava feliz, já que agora teria um novo parceiro. Sentada ao lado da mãe deu os braços para o pai no momento do gol. Adorava comemorar no colo dele, ele pulava e ela adorava aquilo.

A adolescente chegou de mãos dadas com o tio, conhecido como Mário Bros. Simpático conversou com alguns conhecidos sem soltá-la. Antes de começar chamou a garota para um brinde de suco de laranja "para mais momentos como este", falou alto e sorrindo. Para ele a sobrinha era a melhor companheira de futebol, para ela ele era a pessoa mais incrível para assistir futebol.

Por mais bacana que seja ir assistir futebol com os amigos, ir com quem te ensinou a conhecer e ver futebol é diferente. O esporte tem esse lado meio mágico, meio estrelado. De unir gerações, de unir quem se ama.

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